
A coleção de ítens e links no post abaixo é parte da pesquisa sobre esporte, jogos e outras práticas corporais que ocorrem espontaneamente ou não em espaços públicos na cidade de São Paulo.
Qualquer informação sobre atividades sistemáticas nessa linha, a gente agradece.
Bike freestyle | Modalidade em que os atletas executam manobras sobre o equipamento, em terrenos de diversos graus de dificuldade | |
Free running | Variante do le Parkour, que admite elementos de estética no repertório de movimentos | http://joguediferente.blogspot.com/2008/0 |
BMX | BMX (Bicycle MotoX ou ainda bicycle motocross) é uma forma de ciclismo ou de determinado tipo de bicicleta geralmente que fazem o uso de rodas de 20 polegadas. No Brasil, também “bicicross” | |
Skate | Modalidade caracterizada por movimentos realizados sobre uma prancha padronizada dotada de quatro rodas na parte inferior | |
Patins | Esporte de alto rendimento de corrida utilizando o equipamento patins | |
le parkour | O objetivo é chegar de um ponto A a um ponto B saltando obstáculos da forma mais ágil e prática possível, em ambiente urbano. | http://www.leparkourbrasil.blogger.com.b http://joguediferente.blogspot.com/2008/0 |
surf na corrente | Malabarismos praticados sobre correntes | |
streetball ou basquete de rua | Streetball é uma variação do basquete, jogado geralmente em quadras abertas. | |
futebol de rua | Futebol de rua é o futebol “não necessariamente” num campo ou quadra, podendo adaptar-se a diversos espaços públicos | http://www.futebolderua.org/seusiteagora/i |
corridas de rua |
Mundo urbano - http://mundourbano.ning.com/ (muito da hora, esse é o lugar para se entender esportes e a cultura dos esportes de rua)
Jogue diferente - http://joguediferente.blogspot.com/ site sensacional sobre esportes diferentes (todos urbanos), muitos em pleno processo de criação...
Esporte e amizade - http://maripimenta.wordpress.com/tag/esp
O Radical - http://oradical.uol.com.br/
Encontro Paulista de Esportes de Rua - http://www.mackenzie.edu/dhtm/assessoria
Esportes de ação ganham programa na TV - http://www.overmundo.com.br/guia/esporte
Imagens de Adolescentes e Esportes de Rua - http://www.fotosearch.com.br/photoalto/a
Projeto Noite Esportiva da Prefeitura de São Paulo - http://www.selt.sp.gov.br/noiteesp.php
Projeto que estimula o esporte nas ruas de São Paulo é opção em Itaquera para uma diversão segura - http://www2.prefeitura.sp.gov.br/noticia
Movimento Nossa São Paulo - http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/
Muito pouca gente aceita o convite para visitar Paraisópolis. Só quem aceita é que pode entender como seus moradores vivem a experiência espacial naquele lugar. Junto com eles, podem rir das bobagens ditas pelos estranhos, que sugerem que as pessoas não deveriam andar no meio das ruas, que as ruas, sendo estreitas, deveriam ser de mão única ou que as construções são precárias demais para a laje do segundo andar.
Estes estranhos são moradores de bairros modernos do século XXI, onde andar no meio da rua é um desleixo perigoso, no mínimo, ou um desafio ostensivo e conflitivo. Nenhum deles, porém, se dá conta de que existem poucas calçadas em Paraisópolis. Algumas delas já foram “re-configuras” em função, tornando-se camelódromos, extensões de botecos, feiras, entre outras formas de utilização do espaço.
Paraisópolis cresce verticalmente, é natural: espremida contra bairros afluentes, bem cercados e defendidos, só resta esta dimensão para a inexorável expansão. Além das vielas, ruas e lajes, não há muito mais onde brincar para as crianças. A média de moradores por domicílio é alta e o espaço é economicamente distribuido tendo como prioridade as funções domésticas básicas, que excluem os jogos infantis.
Isso tudo seria absolutamente natural para um morador de Ruen ou Montpellier entre os séculos VIII e XI. Cidades medievais e centros comerciais e militares de seu tempo, tiveram um crescimento espontâneo que num certo momento esbarrou com limitações na expansão horizontal. Ainda hoje vemos o resultado desse crescimento vertical, o estreitamento de vielas e a coexistência de vias de diferentes larguras, pavimentações e inclinações.
Paraisópolis foi, até a recente e intensa intervenção do Estado, uma cidade medieval. Até mesmo a lógica da circulação dos moradores e visitantes, a segmentação e estratificação do espaço, tem analogias com as cidades medievais européias.
Com uma lan-house e igreja pentecostal por esquina, comércio de eletrônicos asiáticos, conflito entre um Estado hesitante e um crime organizado sempre presente, Paraisópolis é a Cápsula do tempo, onde convive Rouen do século X, a Ponte da Amizade de hoje, lado Paraguaio, e a Los Angeles hipotética de 2019 de Ridley Scott, em Blade Runner.
Antes de prosseguir, uma pergunta: o que é URBANIZAÇÃO de um lugar que já é uma Urbes? É igual ou diferente de re-urbanização? Mas isso fica para depois.
Por enquanto, aqui embaixo tem informação de boa qualidade sobre Paraisópolis.
Existem certos termos e conceitos que, à medida que vão ganhando popularidade, tanto na mídia quanto entre profissionais, se trivializam ao ponto de quase se esvaziarem de conteúdo intelectual. Seja conceitual, empírico ou valor eurístico. Um deles, não muito distante desta reflexão, foi o de “sustentabilidade”. Com o perdão do trocadilho, tornou-se um conceito insustentável, e, portanto, um não-conceito e sim uma panacéia terminológica, boa para qualquer buraco entre vírgulas, polissêmica até explodir.
Depois que as grandes instituições de saúde norte-americanas como CDC e NIH enfiaram na Organização Mundial de Saúde a idéia de que o mundo vive uma epidemia de sedentarismo, este, e todos os termos a ele relacionados, correm o sério risco de ter o mesmo fim.
Afinal, o que é sedentarismo? Da pré-analítica idéia de que seria o nível de inatividade física capaz de gerar resultados patológicos (em si quase que impossível de indexar, detectar e quantificar) até o dilema sobre a falácia dos instrumentos de pesquisa (questionários) oficialmente utilizados para medir sedentarismo na população, percorremos um caminho de perplexidade acadêmica e oportunismo político.
Com toda a segurança, podemos afirmar que não há nenhum consenso sobre o que seja sedentarismo. Pior: também não há consenso sobre o que seja atividade física conducente à saúde. Pior: não há consenso sobre o que seja saúde! Existem algumas curtas definições oficiais, em geral carimbadas pela OMS, e pronto.
Deixar-se envolver por este imbróglio é cair no sedentarismo intelectual, e, portanto, no nada.
Nossa proposta é mudar o foco da discussão. Se partirmos do pressuposto óbvio (e, portanto, consensual) de que proporções majoritárias e crescentes da população mundial, especialmente urbanas, têm um padrão de mobilidade insatisfatório, talvez tenhamos alguma chance. O que é insatisfatório? É um padrão de mobilidade que não satisfaz a necessidade e vontade do indivíduo de expressar sua existência corporal (daqui para frente, corporalidade) de maneira fisiológica, cognitiva e afetivamente adequada. Com imensas variações individuais, todas as pessoas necessitam expressar-se na interação com o outro e com seu ambiente.
Com o aprofundamento da histórica cisão entre corpo e mente (predominante mas não exclusiva ao ocidente), essa expressão ficou reduzida à fala e ao texto. Nos tornamos indivíduos verbais, informacionais, digitais e nossa corporalidade foi crescentemente negada. Fomos alienados de nós mesmos, por esse corte artificial e arbitrário de partes inseparáveis.
Esse corpo negado ficou estranho a si mesmo, e, nessa condição, estranho ao ESPAÇO que ocupa.
Ao contrário desta dimensão da nossa expressão – essa mesma que você está lendo – o nível da nossa expressão que é corporal só pode se dar no ESPAÇO. No espaço, por ser vivo, o corpo tem MOBILIDADE.
De outra maneira, poderíamos dizer: o espaço se entende com o corpo e seu percurso num ambiente qualquer. Que espaço é este, então, que somos capazes de entender neste corpo alienado e percurso passivo?
A dificuldade em refletir sobre a corporalidade e a mobilidade no espaço diz respeito, portanto, a limitações atuais de todos os domínios disciplinares envolvidos. A arquitetura e o urbanismo, por exemplo, se definem como disciplinas de intervenção no espaço. No entanto, ainda que possam esmiuçar o Homem (com “H” abstrato) enquanto agente cultural dessa intervenção, discutem pouco a corporalidade deste homem (com “h” concreto). Esta deficiência tem, muitas vezes, nefastas conseqüências para a qualidade, atratividade e adequação dos espaços criados.
A antropologia, que aprofunda as práticas de produção de sentido socialmente partilhado nas culturas, OU discute a mobilidade (antropologia do esporte), OU discute o espaço.
Este espaço, que antecede o indivíduo usurpado de sua mobilidade, necessariamente passa a ser objeto de esforços diversos por parte dele para ter ganhar algum sentido. Uma praça que, durante a Idade Média, era ocupada por uma população entretida em feiras, transações diversas e jogos – jogos estes que envolviam, todos, mobilidade - existe até hoje. No entanto, os indivíduos que a ocupam têm uma representação inteiramente diferente de si mesmos e uma outra corporalidade. Que sentidos têm os espaços da praça hoje, para a população que nela circula, intervém ou até mesmo habita (como as crianças da Praça da Sé)?
Em que sentido as tecnologias e equipamentos “necessários” para as cidades modernas funcionarem, como os atuais meios de transporte, não operam uma segunda cisão esquizofrênica entra a mobilidade e a corporalidade? O corpo não é mais pro-ativo na ação motriz, mas continua sofrendo os resultados do ato (vai parar em outro lugar, sofre dores e lesões posturais por longas horas sentado, entre outras respostas corporais).
Estas são algumas das perguntas que gostaríamos de fazer, e, com elas, trazer à tona uma família de perguntas congêneres. Pois reduzir a “questão do sedentarismo” a discussões sobre novas configurações ocupacionais, à tecnologia, ou até mesmo à falta de informação é contar a história pela metade, e pela metade mais superficial.
No próximo capítulo, cutucaremos a multi-facetada questão relativa à LIBERDADE E ESPAÇO PÚBLICO, estrelando os hits “Governo, Estado e regulamentação do uso do espaço público”, “o público e o privado”, “a apropriação do espaço público e governança local” e outros títulos cheios de apelo aos quais daremos o conteúdo que quisermos, e não o convencionado. Afinal, o convencionado não funcionou muito bem nem para o uso do espaço público, nem para o uso do espaço de criação de idéias.
Aguardem!
Sven Shmiel
cryptopedia@gmail.com
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